A quem interessar possa, livres pensamentos sobre a salada do mundo em que vivemos...
Um blog sobre política, arte, religião, cinema e tudo mais que me passar pela cabeça...
Quando o apagão geral da nação atingiu Campo Grande, por volta das 22h30, o Fernandinho Beira Mar havia acabado de deixar o Fórum da cidade protegido por uma gigantesca escolta policial em viaturas e helicópteros. Ele havia sido condenado a mais 15 anos de prisão, além dos 130 que já tinha, por ter mandado executar desafetos dentro da penitenciária de Campo Grande. Nossa primeira reação ao apagão foi justamente a de pensar que era coisa do Beira-Mar. Afinal, é o chefe de um dos poderes paralelos que agem no país, pode mandar prender, soltar, matar, sequestrar e porque não comandar um apagão geral para facilitar a sua fuga? Nosso medo dá uma idéia do estado do país quando algo assim acontece. E isso em Campo grande, imagino como é no Rio e em São Paulo. Já estávamos esperando um salve geral campo grandense no melhor estilo PCC quando começaram a chegar as notícias de que a energia acabara em Três Lagoas, Ponta Porã, São Paulo, Rio... Aí respiramos aliviados. Não é o poder paralelo não, é o oficial mesmo... A vantagem do paralelo, apesar dos tiros, é que pelo menos assume o que faz. Já o oficial põe a culpa no ET de Itaberá e no FHC.
Everardo, o idiota, continua me mandando comentários apesar de eu me recusar a publicá-los por serem demasiadamente...idiotas. Ele acha por exemplo que o Muro de Berlim e o muro que os americanos fizeram na fronteira do México são a mesma coisa. E ainda me cobra porque eu não falo nadinha sobre o assunto. Pois bem, vamos dar uma lição a Everardo. O Muro de Berlim foi construído pela Alemanha Oriental para impedir que os seus cidadãos fugissem daquele "paraíso" socialista. Ou seja, o governo socialista transformou o país em uma prisão para seus próprios cidadãos. Quando o muro caiu, o fluxo de emigração dos países do leste para oeste foi tão grande que uma piada comum na época dizia: "o último apague a luz por favor". O muro que os americanos construíram na sua fronteira sul é para a defesa de seu território e de sua população contra o contrabando, a imigração ilegal e o tráfico de drogas (drogas aliás produzidas pelos "movimentos sociais" latinos). É o mesmo princípio do muro israelense, construído para proteger a população contra ataques terroristas. E é uma obrigação de países democráticos defender seus cidadãos. Além do que, americanos e israelenses são livres para ir e vir onde e quando queiram. Os milhares de imigrantes latinos que tentam entrar nos EUA estão fugindo é do populismo, da corrupção, do estatismo e do castro-bolivarianismo que estão há um século impedindo que a América Latina se desenvolva. Isso é causado não pelo capitalismo mas pela falta dele. Quem acha que isso tudo é culpa dos Estados Unidos é só o perfeito idiota latino americano. Aliás a querida Cuba é um paraíso tão bom, tão igualitário, tão solidário que os cubanos preferem a possibilidade de morrer atravessando o oceano em uma balsa de pneus tentando chegar no Grande Satã Capitalista do que a possibilidade de ficar na ilha prisão para sempre...
Olhando-se o mundo hoje, com uma Coréia do Norte e um Paquistão nucleares, um Iran prestes a se tornar nuclear, um boçal como Hugo Chávez na Venezuela, uma Rússia agressiva e a ameaça do islamofascismo, os inimigos da liberdade e do Ocidente são mais numerosos do que nunca. Em seu excelente artigo Tyranny set in Stone, na New Criterion, Roger Kimball fala das duas mais importantes lições que podem ser tiradas da queda do muro de Berlim. "A primeira é de que a tirania, se confrontada com franqueza, pode ser derrotada. A segunda é que a vitória da liberdade nunca é final, ela deve ser sempre renovada não só pela nossa vontade de reconhecer e lutar contra o mal mas por uma proclamação decidida de nossos princípios fundadores. É esse último que parece ser o mais difícil para os intelectuais do Ocidente. Para citar Kolakowski mais uma vez, há só uma Grande Causa que permaneceu mais ou menos intacta pelas últimas décadas ne mentalidade esquerdista: a repugnância aos países democráticos.Fidelidades mudaram, mas se há uma coisa persistente na política esquerdista é isso: se há um conflito entre um governo tirânico e uma democracia, os tiranos estarão certos e a democracia errada. Alguém poderia pensar que o admonitório conto do Muro de Berlim proporcionaria incontestável desilusão. Infelizmente, é uma lição que ainda temos de absorver.
Depois de 100 milhões de mortos e 20 anos depois da queda do Muro de Berlim , ainda há cretinos que acreditam nessa jaca chamada socialismo. Só uma pergunta: porque quem morreu no Muro foi sempre tentando pular de lá pra cá, e nunca o contrário?
Lá estava ela, ferida de morte no asfalto frio. Ele não podia acreditar no que via. Era perigoso dizia, me espere. Ela nunca dava bola às suas demasiadas preocupações. E agora o destino, horroroso destino, lhe dava razão. Deitada, olhava o vazio, com dor calma. Ele tremia, custava a crer, desejava estar em um pesadelo pavoroso do qual o sol da manhã lhe arrancaria. Não conseguia encarar o sangue, muito menos o olhar.
Me diga o que fazer, implorou. Traz me um pouco d'água, ela disse. Obediente, foi. Traria cachoeiras inteiras se ela houvesse pedido. Ela só queria água, e com uma angústia espinhosa ele sentiu uma migalha de derradeira felicidade por ter conseguido cumprir ao menos esse último desejo, com a esperança de que aquilo talvez a reanimasse, a fizesse logo saltar do chão. Um último milagre.
Tentou movê-la, mas seu corpo inerte não respondeu. Queria levantá-la à força, mesmo que tremesse de medo, mesmo que não tivesse força nenhuma naquele momento. Vamos, para cima, e a tocava, mas no fundo aquele vazio no peito começava a transformar-se em infinito vácuo.
A dor agora era só dele. Ela se foi deixando-o só no mundo indiferente. Ela deitada, o asfalto, o frio. Quis gritar, gritar para voltar no tempo, para passar a dor, para passar a raiva.
Por fim calou-se, e ali ficou. Horas. Perdido. O mundo poderia ser indiferente, mas ele não era. Não é isso o amor? Não é o que faz a diferença? O que fazer com a dor imensa? Olhou o azul imenso e decidiu que há perguntas sem resposta.
A Brasil Telecom me ligou para estar me oferecendo um pacote muito bom para meu telefone fixo, mas eu era obrigado a levar um celular junto.
Eu não queria mas inexplicavelmente ia sair mais barato se eu aceitasse e simplesmente não usasse o celular. Foi o que eu fiz. O celular ficou na gaveta.
A GVT chegou na minha rua, mais barata do que a Brasil Telecom. Pedi a portabilidade do fixo e me deram, mas avisaram que eu não poderia cancelar o celular e continuaria pagando a franquia.
O celular tinha uma fidelidade de um ano.
Por sugestão do próprio atendente, pedi que mudassem o celular da Brasil Telecom para a Oi. Como agora é a mesma empresa, fizeram sem reclamar.
A Oi me mandou um chip. Meu celular virou Oi, o contrato com a Brasil Telecom foi terminado, e não havia mais fidelidade.
Liguei para a Oi e cancelei a linha de celular que eu nunca havia usado em primeiro lugar.
Monkey business.
Porque não aparece uma operadora que diga o preço do minuto é x, pra qualquer lugar, pra qualquer operadora, você paga o que usar...
Mas para que simplificar se a gente pode complicar não é?
A antropologia é uma daquelas ciências que me fascinam mas sobre as quais tenho conhecimentos parcos demais.
Só posso imaginar a emoção e a curiosidade científica que um francês como Claude Lévi-Strauss tinha ao entrar em contato com grupos de homens de cultura até então desconhecida nos sertões mais remotos do Brasil dos anos 30.
Dito isso, confesso que um debate entre o existencialismo de Sartre e o estruturalismo de Lévi-Strauss me é tão enigmático quanto a pedra da Roseta.
A questão fundamental da antropologia para mim é se homens devem ou não propositadamente interferir na cultura alheia. Lévi-Strauss por exemplo condenava firmemente a pretensão ocidental de julgar sua cultura e seu modo de vida superior ao de outros grupos humanos, mas mesmo os índios brasileiros julgavam-se uns aos outros. Os Bororo por exemplo consideravam os Nhambiquaras (a sociedade do mínimo necessário segundo Lévi-Strauss) bárbaros, já que dormiam no chão ao invés de redes.
Para mim, o contato e a mútua influência entre diferentes grupos humanos ao longo da história além de ter sido fundamental para a evolução da humanidade foi certamente também inevitável.
Por aqui não seria diferente. Nossos índios estavam na Idade da Pedra quando os europeus chegaram por aqui. Matavam, escravizavam e comiam-se uns aos outros. A colonização trouxe a palavra escrita, o cristianismo e inovações tecnológicas que talvez eles nunca conseguissem.
Nossos índios de hoje querem ter um freezer, facas de metal e televisão.
Já os nossos antropólogos querem mandá-los de volta à Idade da Pedra, e acham perfeitamente normal que eles enterrem vivas suas crianças deficientes por exemplo.
Não tenho a pretensão de me julgar superior ou inferior, mas reconheço que minha cultura teve acesso às criações de muitas outras culturas diferentes da minha, e que acabaram beneficiando também a mim, e portanto acredito que possa beneficiar também a outros.
Eu acredito que a antropologia hoje deveria servir para criar um choque menor entre culturas do que aqueles ocorridos há 500 anos atrás. Mas não acredito que isolar grupos humanos em reservas imensas seja a solução. Quando a humanidade estiver colonizando marte e passando férias na lua, lá estarão essas reservas indígenas da Funai, transformadas em zoológicos de homens renegados pelos seus irmãos.
"A vida não é uma mera sucessão de fatos e experiências, por mais úteis que muitos deles se possam revelar. Mas é uma busca da verdade, do bem e da beleza. É precisamente para tal fim que fazemos as nossas opções, exercemos a nossa liberdade e nisso mesmo, isto é, na verdade, no bem e na beleza, encontramos felicidade e alegria.”
Bento XVI